Irã diz que desconhece existência de negociação e anuncia "recuo" de Trump
Depois de ameaçar os iranianos, ofender aliados e colocar a economia mundial à beira do colapso, o presidente Donald Trump anuncia que está “negociando” um acordo com o Irã e ordenou que seus militares não disparem contra alvos relacionados com a infraestrutura energética do país durante os próximos cinco dias.
O governo iraniano desmentiu a existência de uma negociação. A agência de notícias iraniana oficial Fars afirmou que “não há contato direto ou indireto com Trump”. Segundo a agência, depois de “ouvir que nossos alvos incluiriam todas as usinas de energia do Oriente Médio, ele (Trump) recuou”.
Já a embaixada do Irã no Afeganistão afirmou que a declaração de Trump foi resultado da ameaça que Teerã fez de que poderia colocar em risco toda a produção de petróleo dos países do Golfo.
A reviravolta dos EUA, segundo eles, teria sido por conta de uma “advertência severa do Irã”. Já a agência de notícias iraniana Tasmin afirmou: “Trump recua!”
Irã diz que Trump tenta ganhar tempo
Numa declaração oficial, o Ministério das Relações Exteriores do Irã alertou sobre o objetivo do chefe da Casa Branca.
Para Teerá, as declarações de Trump “fazem parte dos esforços para reduzir os preços da energia e ganhar tempo para implementar seus planos militares”.
“Sim, existem iniciativas de países da região para reduzir as tensões, e nossa resposta a todas elas é clara: não somos nós que iniciamos esta guerra, e todos esses pedidos devem ser encaminhados a Washington”, declarou o Ministério das Relações Exteriores.
Já o site Axios indicou que existiria um diálogo ocorrendo entre os chanceleres de três países do Oriente Médio com o enviado de Trump, Steve Witkoff e com o ministro iraniano Abbas Araghchi.
Enquanto isso, as Forças de Defesa de Israel afirmam estar realizando ataques a alvos na capital iraniana. Num comunicado, os israelenses indicaram que estão “realizando ataques” no “coração de Teerã”.
Trump vinha sofrendo duras críticas internas, nos EUA, por conta da falta de uma explicação sobre quais seriam os objetivos de sua “Operação Fúria Épica”. Em diversos momentos nos últimos dias, Trump afirmou que já “havia vencido” a guerra.
O que Trump disse
A reviravolta ocorreu quando, nesta segunda-feira, nas redes sociais, o norte-americano afirmou:
Tenho o prazer de informar que os Estados Unidos da América e o Irã tiveram, nos últimos dois dias, conversas muito boas e produtivas a respeito de uma resolução completa e total de nossas hostilidades no Oriente Médio.
Com base no teor e no tom dessas conversas aprofundadas, detalhadas e construtivas, que continuarão ao longo da semana, instruí o Departamento de Guerra a adiar todos e quaisquer ataques militares contra usinas de energia e infraestrutura energética iranianas por um período de cinco dias, sujeito ao sucesso das reuniões e discussões em andamento.
Agradeço a sua atenção a este assunto! PRESIDENTE DONALD TRUMP
Uma hora depois, em entrevista à rede Fox News, Trump insistiu que os iranianos querem fechar um acordo e que isso poderia ocorrer em cinco dias, ou mesmo antes.
Em outra entrevista, desta vez para a CNBC, o presidente dos EUA teria indicado que considera o contato que manteve com o Irã como uma oportunidade para uma “mudança de regime”. Ele não revelou quem seriam os interlocutores.
Petróleo em queda
O impacto de sua declaração foi quase imediato nos mercados.
O preço do barril do petróleo (Brent) caiu 13%, para US$ 96, e o preço do gás natural também sofreu uma queda. O índice FTSE 100 subiu 0,5%, após ter iniciado a semana em forte queda.
O anúncio pegou diplomatas e negociadores de surpresa na ONU, onde o ICL Notícias reporta neste momento. Em reuniões, delegações mostravam umas às outras o texto publicado por Trump.
Ultimato
A surpresa ocorre por conta da guinada que a negociação representa em um conflito que já entra em sua terceira semana. No sábado, Trump afirmou que daria ao Irã 48 horas para abrir o Estreito de Ormuz.
Mas Teerã retrucou e declarou que “destruiria irreversivelmente” infraestruturas essenciais em todo o Oriente Médio, incluindo sistemas vitais de abastecimento de água, caso Trump fosse adiante com a promessa.
No fim de semana, o governo saudita ainda fez chegar uma mensagem ao presidente dos EUA de que estava “preocupado”, principalmente diante da capacidade de os iranianos abalarem tanto o abastecimento de água quanto a produção de petróleo da região.
O Irã havia ainda ameaçado atacar usinas de energia em todas as áreas que fornecem eletricidade para bases americanas, “bem como as infraestruturas econômicas, industriais e energéticas nas quais os americanos possuem participação”.
Nos bastidores, países europeus e do Oriente Médio intensificaram os trabalhos para tentar conter a escalada e evitar que o ultimato de Trump significasse a eclosão de uma guerra generalizada.













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