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domingo, 20 de janeiro de 2019

O Brasil nas mãos de uma quadrilha

José Cruz/Agência BrasilPor Ricardo Melo, para o Jornalistas pela Democracia - Provavelmente, editores assustados, revisores apavorados e empresários timoratos irão se incomodar com o que vai ser dito, a começar do título. Já eu não tenho nem idade, nem estômago, tampouco trajetória jornalística turva para deixar de falar a verdade sem disfarce. Não tenho nenhum problema em responder pelo que escrevo.

Muito do que o Brasil sofre atualmente deriva da covardia da mídia oficial acostumada a amestrar seus “profissionais” para falar apenas o que soa como música nos ouvidos dos patrões. Enquanto isso, o país e o povo escoam pelo ralo das roubalheiras, da submissão a interesses externos e da ganância do grande capital.

Não há nada mais repulsivo do que ler, ver e ouvir de supostos democratas que “torcemos para que o governo Bolsonaro dê certo”. O que significa isso? Esse governo defende o retrocesso nos costumes, o obscurantismo na educação, o ataque aos movimentos populares, o extermínio da oposição, o faroeste social, o desrespeito diante das diferenças, a submissão colonial, a corrupção permitida aos amigos da “famiglia” no poder.

Eu, não. Torço para que dê errado. Essa conversa de que tudo faz parte da alternância democrática não passa de discurso hipócrita, que esconde as condições em que Bolsonaro foi eleito. Valeu-se de artimanhas eletrônicas, de um “atentado” até hoje mal explicado e da fuga de debates livres para assaltar o poder. Mesmo com tudo isso, seus votos foram inferiores aos da oposição somados aos nulos, brancos e abstenções.

As pesquisas, tão ao gosto desta gente, comprovam este horizonte bizarro. Nas questões fundamentais –previdência, educação, posse de armas, reforma trabalhista--, a maioria do povo brasileiro tem dito NÃO às intenções de Bolsonaro e sua turma. É de se perguntar, a quem ainda está interessado em pensar, tamanha assimetria entre o resultado a eleição e a vontade do país. Steve Bannon, assessor de Trump e “brother” da famiglia, talvez possa explicar como algoritmos mudam o resultado de qualquer eleição.

Os últimos episódios relacionados ao laranja bolsonarista Eduardo Queiróz dissipam quaisquer dúvidas. A famiglia Bolsonaro, tudo indica, cevou sua fortuna com base em roubalheiras de dinheiro público. A cada dia, surgem novas denúncias. Documentadas e exibidas em rede nacional de televisão. Irrefutáveis, a não ser para gente como Luiz Moradia Fux, cuja presença no STF é um acinte para qualquer estagiário de Direito.

A eleição de Jair Bolsonaro é produto de uma fraude. Quanto mais cedo seu mandato for interditado, mais o Brasil terá a ganhar. A oposição precisa ter isso em mente. Mas para isso não bastam manifestos subscritos em ambientes refrigerados. É necessário coragem e determinação. Recorrer à mobilização popular, já que a articulação midiática-judiciária-policial-parlamentar joga abertamente no sentido contrário.

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