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sexta-feira, janeiro 26, 2018

A decisão do TRF4 e o salto dialético da história

Uma coisa é certa. No meio da tão propalada “crise de representação política”, que a humanidade inteira vivencia tão dolorosamente, existe um político, num país da América do Sul, que ainda arrasta multidões.

Um político que, perseguido impiedosamente por todos os grandes meios de comunicação, que formam o mais concentrado oligopólio midiático do mundo, perseguido pelo sistema de justiça mais poderoso (e mais autoritário) do mundo democrático, ainda sim é o político com menor rejeição, dentre todos, e o político com maior aprovação popular.

O aprofundamento da perseguição a Lula tem uma razão histórica: as elites brasileiras, sem disso ter consciência, porque elas também são movidas por forças econômicas irracionais, estão esculpindo o mito milenar da liderança política/religiosa/cultural perseguida.

Essa é a beleza da dialética. Toda a energia descomunal que as elites econômicas do Brasil despejam contra Lula acaba se revertendo em seu favor. Ele as absorve.

O judiciário brasileiro acaba de assinar, além disso, a sua sentença de morte. Depois do dia 24 de janeiro, a relação do Brasil com seu sistema de justiça nunca será a mesma.

Isso não é novidade para nós, da blogosfera, mas certamente será para uma parcela cada vez maior da população, começando pelas pessoas mais pobres e espraiando-se para todas as camadas sociais: a partir de agora, o sistema de justiça passa a ser identificado diretamente com o autoritarismo, a concentração de renda, e o ódio ao povo.

A partir de agora, as forças progressistas do país incorporarão às suas bandeiras de luta uma reforma profunda do judiciário.

Juízes, procuradores, delegados, não podem mais ser os carrascos da elite econômica. Se o seu salário é pago pelo povo trabalhador, eles tem de ser defensores do povo, e dos representantes políticos do povo.

Se todo poder emana do povo, e se Lula é o político que mais representa o povo, então a vontade popular determina que Lula ocupe uma escala hierárquica infinitamente superior a de qualquer juiz.

Sem soberania popular, não haverá estabilidade política no país. Os EUA mantém sua estabilidade porque são o império mais rico do mundo. A China mantém a sua porque mantém desemprego zero, taxas de crescimento estratosféricas e seu governo tem melhorado, efetivamente, a vida de seus cidadãos.

O que este regime de exceção, nascido de um golpe, tem oferecido aos brasileiros?

Pauperização do trabalhador.

Insegurança jurídica, econômica, alimentar, social, educacional.

Aumento brutal das violações de direitos humanos.

Aumento da violência dos criminosos, da polícia e da justiça.

Diminuição do Brasil no cenário internacional.

Aumento do custo de vida.

Destruição do serviço público.

Miséria, fome e desemprego.

E ainda por cima quer prender a nossa principal liderança popular?

***


“Eles não podem prender nossas ideias”, diz Lula

Ex-presidente foi recebido por milhares de pessoas na Praça da República
Publicado em 25/01/2018 TWITTER FACEBOOK

“Não baixem a cabeça, não. Não fiquem com ‘dó do Lula’. A hora não é de desistir. É de continuar a trajetória que nós construímos nesse país. Só tem um jeito de me tirar das ruas desse país… Enquanto esse coração velho bater, pode estar certo de que a luta vai continuar.”

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi recebido por uma multidão aglomerada na Praça da República nesta quarta-feira (24), logo após o fim do julgamento que o condenou a 12 e um mês de prisão em um processo sem provas.

“Eles não podem prender o sonho da liberdade, não podem prender as ideias. Eles podem prender o Lula, mas as ideias já estão colocadas na cabeça da sociedade brasileira” afirmou. “Não admitem que um metalúrgico sem diploma passou para a História como o presidente que mais construiu universidades nesse país. São essas conquistas que eles julgaram hoje”, resumiu o ex-presidente.

Lula voltou a desafiar seus acusadores a apresentarem provas de que cometeu um crime, dessa vez na figura dos três desembargadores que votaram pela rejeição do recurso contra a sentença de Sérgio Moro. “Desafio os três juízes que me julgaram a provar algum crime que eu tenha cometido. Esse processo está subordinado à imprensa brasileira”, disse.

Justamente pelo decorrer do processo e de seu caráter midiático, o ex-presidente ressaltou que a confirmação de sua condenação em segunda instância não o deixou abatido. “Todo mundo está vindo me cumprimentar como se eu tivesse triste, me desejando força. Mas eu nunca tive nenhuma ilusão, o pacto entre o judiciário e a imprensa foi de acabar com o PT. Eles não se conformaram com a ascensão dos pobres”, destacou. “Quem está no banco dos réus é o Lula mas quem foi condenado é o povo brasileiro”.

Lula avisou que vai manter sua viagem a Etiópia, onde à convite da União Africana falará sobre o exemplo do Brasil no combate à fome. “Vou a Etiópia e segunda-feira estarei de volta aqui nesse país pra lutar pelo povo trabalhador. Eu tenho que avisar a elite brasileira: esperem, porque nós vamos voltar. Esse país vai provar que o povo pobre nunca foi problema. O povo pobre é a solução.”

Após o ato, milhares de manifestantes seguiram rumo à Avenida Paulista para defender Lula e o direito de sua candidatura à presidência. O PT também emitiu nota em que mantém o nome de Lula como a escolha do partido para disputar as eleições presidenciais.
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