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quarta-feira, outubro 18, 2017

Esta foi a semana gorda da impunidade

Lula Marques/Agência PT | Ag. Câmara | Reuters
Estamos na semana gorda da impunidade para os que estão no poder. O “Projeto Jucá”, o grande acordo, “com Supremo e tudo”, está consolidado. A sangria foi estancada, no que diz respeito aos que participaram do golpe de 2016, que foi o primeiro passo para conter a marcha da Lava Jato contra os políticos. O Senado derrubou medidas punitivas contra Aécio, com aval do STF, e agora livrará a cara de qualquer outro senador alcançado por medidas cautelares. A Câmara fará o mesmo se algum deputado for alcançado. E para demonstrar que o acordão vingou, não se passaram 48 horas para que a CCJ da Câmara rejeitasse a segunda denúncia de Rodrigo Janot contra Temer, Moreira Franco e Eliseu Padilha. Malas de dinheiro, gravações, evidências de propinas e de funcionamento de organização criminosa, nada disso tem valor, quando se trata dos homens do golpe. A Lava Jato agora será uma operação destinada a punir apenas ilícitos cometidos por quem não tem foro privilegiado.

Escaparam todos e devem estar celebrando mas os eleitores, que há algum tempo emudeceram, estão observando e tudo compreendendo. A conta virá no ano que vem, para os que forem disputar eleição. Não é o caso de Temer, que não ganharia eleição nem para síndico de prédio. O acerto de contas dele será com a Justiça, numa vara de primeira instância de São Paulo ou de Brasília, pois já não terá o foro do STF.

A não ser que a maioria do plenário tivesse na semana que vem um ataque de lucidez e responsabilidade cívica, votando pelo afastamento de Temer, que já não governa, apenas faz uso da Presidência para se manter no cargo, fora do alcance da Justiça. Mas nada nos recomenda a esperar esta surpresa de uma Câmara onde a maioria vende o voto e os investigados agora sabem que serão protegidos pelo espírito de corpo contra qualquer ameaça ou imposição vinda do Judiciário. Estão todos salvos. O golpe vence de novo e a Lava Jato tornou-se um entretenimento de Sergio Moro contra Lula e outros que não fazem parte da congresso golpista.

TEREZA CRUVINEL
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