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terça-feira, abril 18, 2017

Araioses: O Judas nosso de cada dia

Por Marcio Maranhão
Cristino em dia desesperador procura 
Manoel da Polo para ser seu vice e continuar 
candidato à prefeitura de Araioses
Em uma roda de amigos, os ouvi dizer que estavam ansiosos para a hora do Cristino, e a toda momento alguém perguntava: Já é à hora do Cristino? Como será à hora do Cristino? Como não sabia do que se tratava e o nome indagado passou ser comum dos araiosenses, fiquei curioso e perguntei; resposta que veio com uma breve explicação carregada de muitos risos, então entendi que se trava da hora de “MALHAR O JUDAS”, tão bem arrumado nos dias anteriores ao Sábado de Aleluia, e com direito a um senhor bigode característico. Ri muito com os amigos e percebi que o bigode no Judas nunca fez tanto sentido aos araiosenses contemporâneos...

Malhação de Judas ou Queima de Judas é uma tradição vigente em diversas comunidades e foi introduzida na América Latina pelos espanhóis e portugueses. É também realizada em diversos outros países, sempre no Sábado de Aleluia, simbolizando a morte de Judas Iscariotes, personagem bíblico que sendo discípulo de Jesus, traiu seu próprio mestre por dinheiro e com um beijo o entregou aos soldados romanos.

A tradição consiste em surrar um boneco do tamanho de um homem, forrado de serragem, trapos ou jornal, pelas ruas de um bairro e atear fogo a ele, normalmente ao meio-dia.

Cada país realiza a tradição de um modo, alguns queimam os bonecos em frente a cemitérios ou perto de igrejas. No Brasil é comum enfeitar o boneco com máscaras ou placas com o nome de políticos, técnicos de futebol ou mesmo personalidades não tão bem aceitas pelo povo.

Imagem da internet
Em Araioses a utilização do nome do prefeito faz muito sentido; Cristino que ganhou a prefeitura praticamente sem gastar, recebeu o apoio de muitos amigos que caminharam com ele no sol escaldante de Araioses, perderam noites de sono, fizeram sacrifícios financeiros para ajudá-lo. E agora no poder, Cristino mandou fechar o seu portal, tal qual antes da campanha, para entrar somente quem ele e a esposa determinam. Aliados fundamentais em sua vitoria como Manoel da Polo, que aproximou o povo do candidato sem carisma foi o primeiro a ser apunhalado pelas costas e várias outras lideranças só recebem nãos e portas na cara. Em quatro meses de governo com milhões entrando nos cofres do município, sem sequer uma obra que justifique o gasto de cem mil reais, todo o povo está se sentindo traído, sem beijos e sem abraços.

Até mesmo o Judas Iscariotes foi mais gentil e discreto ao trair quem só lhe deu amor e confiança.
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