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segunda-feira, abril 25, 2016

Teori manda apurar planilhas de doações da Odebrecht; lista tem Sarney e Roseana

Teori manda apurar planilhas de doações da Odebrecht; lista tem Sarney e Roseana

Atual7
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, determinou abertura de procedimento para apuração preliminar de planilhas da Odebrecht apreendidas na Operação Lava Jato com nomes de políticos que teriam recebido doações da empreiteira.

Com a decisão de Teori, o material será analisado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que decidirá se pede ou não ao STF a abertura de inquéritos contra políticos citados.

Os documentos foram apreendidos na casa do presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Barbosa da Silva Junior, o BJ, durante a 23ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Acarajé. As planilhas citam pelo menos 200 políticos de diversos partidos, com e sem foro privilegiado, que teriam recebido repasses da empresa. Entre os nomes aparece o do ex-senador José Sarney (PMDB-AP) e da ex-governadora Roseana Sarney (PMDB).

Roseana é citada como beneficiária de pagamentos da ordem de R$ 540 mil, ocorridos no dia 14 de setembro de 2010, durante a campanha eleitoral. Ela aparece com o codinome “princesa”. A Lava Jato não confirma se os repasses ocorreram de forma ilegal, mas na prestação de contas eleitorais da ex-governadora não estão listadas transferências desses valor no dia 14 de setembro. Nem mesmo por meio do comitê financeiro único ou do diretório nacional do PMDB.

O ex-presidente Sarney também é apontado como beneficiário de repasses da Odebrecht, no valor de R$ 100 mil. Para Sarney, que é identificado com “escritor”, a transferência teria ocorrido em São Luís. Contudo, a data do possível repasse não é apontada pela planilha da empreiteira.

Durante a 23ª fase da Lava Jato, os policiais federais descobriram um esquema paralelo de repasses de propina a diversos políticos. As planilhas fazem referência basicamente às eleições de 2010, 2012 e 2014. Segundo a PF, os valores repassados para os políticos citados na lista ultrapassariam os R$ 55 milhões.

Departamento de propina

Trechos em que Aderson Lago e Haroldo Saboia são arrolados na ‘Relação de Parceiros’ da Odebrecht
ATUAL7PARCEIRO$Trechos em que Aderson Lago e Haroldo Saboia são arrolados na ‘Relação de Parceiros’ da Odebrecht

Ao determinar a abertura preliminar de investigações nas planilhas da Odebrecht, Teori Zavascki também decidiu devolver ao juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato na primeira instância, duas investigações que haviam sido remetidas ao Supremo em razão das planilhas que citam políticos com foro: os processos da Operação Acarajé e da 26ª fase, chamada de Xepa – que teve como foco a descoberta do “Setor de Operações Estruturadas”, um departamento exclusivo dentro da empreiteira para o gerenciamento e pagamento de propina.

No farto material apreendido na Xepa, também por meio de codinomes, aparecem o senador Edison Lobão (PMDB-MA), chamado de ‘Sonlo’; o ex-senador Epitácio Cafeteira, que teve apenas o epíteto ‘Epi’ colocado como forma de identificação; o ex-deputado Neiva Moreira (morto em 2012), apelidado de ‘Noivo’; o ex-deputado federal Jaime Santana, chamado ‘Jason’; e, novamente, a ex-governadora Roseana Sarney, que aparece na lista com o nome de casada Roseana Murad, e como ‘Princesa’. O deputado federal Sarney Filho, apelidado de ‘Filhote’, e o empresário Fernando Sarney, apelidado como ‘Filhão’, também aparecem na lista.

Nem mesmo políticos conhecidos por discurso pelo discurso da suprema moralidade escaparam da lista, como o ex-presidente estadual do PSOL e candidato derrotado ao Senado em 2014, Haroldo Saboia, e o ex-deputado estadual Aderson Lago (SD) – pai do secretário de Transparência e Controle do Maranhão, Rodrigo Lago.

Saboia aparece na lista relacionado a outro nome, o do ex-prefeito de Barreirinhas, Albérico Filho (PMDB). Ambos estão como recebedores da DGU, que é a diretoria geral da Odebrecht, e são identificados como ‘Bonecas’. Aderson Lago, por sua vez, aparece na relação ‘Saneamento Imperatriz’, identificado como ‘Cisne’.

Com páginas datilografadas e outras escritas à mão, o material estava sob responsabilidade de uma funcionária da Odebrecht. Os codinomes para os receptores dos pagamentos só foram decifrados por meio de outra relação encontrada junto à documentação, chamada de ‘Livro de Códigos’, e continha uma lista com o nome ‘Relação de Parceiros’.
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